O Conselho Federal de Medicina aprovou recentemente a cirurgia metabólica como um dos tratamentos para a diabetes mellitus tipo2.

O procedimento foi normatizado através da resolução 2.172/2017, sendo indicado para o tratamento de pacientes que possuem diabetes tipo2, com IMC (Índice de Massa Corporal) entre 30 Kg/m2 a 35 Kg/m2.

Além disso, para a indicação cirúrgica, é preciso que o tratamento clínico não apresente resultados.

“A cirurgia bariátrica surgiu com a intenção de ajudar a pessoa a perder peso, mas com o tempo foi-se observando que ela melhorava também o controle de doenças como o diabetes tipo2, hipertensão, colesterol, triglicérides e doenças articulares. A partir da observação de que a cirurgia podia ajudar a normalizar o controle glicêmico, foram feitos alguns estudos para pacientes com IMC mais baixo, entre 30 e 35 que já apresentavam o diabetes tipo2”, destaca o cirurgião geral e proctologista Profº Dr. Roberto Luiz Kaiser Junior.

Outros critérios para a indicação da cirurgia metabólica é a idade, sendo que o paciente tem que ter entre 30 e 70 anos e apresentar menos de dez anos de diagnóstico de diabetes.

Pesquisas sobre a funcionalidade da cirurgia metabólica para o tratamento da diabetes tipo2 tiveram início no Brasil em 2005. De lá para cá vários estudos foram feitos e mostraram que ela pode ser uma opção efetiva para o tratamento da doença.

Cirurgia

“A cirurgia metabólica e a cirurgia bariátrica, tecnicamente falando, são muito parecidas, com pequenos detalhes que diferenciam uma da outra. A ideia é fazer uma exclusão duodenal, ou seja, fazer com que a comida não passe na região do duodeno, no começo do intestino delgado, onde acredita-se que existam substâncias chamadas incretinas, que inibem a função do pâncreas. A partir do momento que a comida não passa nessa região, devido a exclusão duodenal, e vai direto para outra parte do intestino fino, libera-se o pâncreas para voltar a produzir insulina. Essa, hoje em dia, é a teoria mais aceita”, explica Kaiser Junior.

Duas técnicas cirúrgicas foram reconhecidas para o tratamento do diabetes tipo2:

bypass gástrico (indicado como a técnica de cirurgia mais eficaz e de primeira escolha, onde o estômago é reduzido através de grampeamento e dividido em duas partes, sendo que a menor será por onde o alimento irá transitar e a maior ficará isolada.

O pequeno estômago é ligado ao intestino para que o alimento possa seguir seu curso natural); e gastrectomia vertical (consiste na retirada de dois terços do estômago, indicada quando a primeira opção não puder ser realizada).

Estudos apontam que, entre as pessoas que fizeram a cirurgia há mais de cinco anos, 80% conseguiram a remissão do diabetes tipo2 após o procedimento.

Diabetes

Atualmente o Brasil tem aproximadamente 14,3 milhões de pessoas convivendo com o diabetes.

O número de brasileiros diagnosticados com a doença cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 8,9% em 2016.

Os dados são da última pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em abril de 2017 pelo Ministério da Saúde.

O diabetes tipo2 é a forma mais comum da doença, atingindo cerca de 90% dos pacientes.
Em geral, ela aparece depois dos 40 anos e está associada à obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e ao estresse.

O diabetes é uma doença crônica e progressiva que se não for tratada de forma adequada leva a uma série de outros problemas como: cegueira, problemas renais, impotência sexual, infarto, amputação de membros, entre outros.

Normas da resolução

De acordo com a resolução, para ser indicada a cirurgia é necessário que o paciente:

– Tenha diabetes miellitus tipo2 e IMC entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m²;
– Seja tenha no mínimo 30 e no máximo 70 anos;
– Ter diabetes miellitus tipo2 há menos de 10 anos;
– Passe pela avaliação de dois médicos especialistas em endocrinologia;
– Tenha um parecer que mostre que ele apresentou resistência ao tratamento clínico com antidiabéticos orais e/ou injetáveis, mudanças no estilo de vida e que compareceu ao endocrinologista por no mínimo dois anos; e
– Não tenha contraindicações para a cirurgia.

Fontes – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátria e Metabólica e Profº Dr. Roberto Luiz Kaiser Junior

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