Cisto pilonidal

O cisto pilonidal, que aparece habitualmente na região terminal da coluna vertebral, é muito comum entre os 15 e 30 anos de idade.

Talvez você nunca tenha ouvido falar em cisto pilonidal, mas saiba que essa doença é mais comum do que se imagina. “Cisto pilonidal ou doença pilonidal vem do latim pilus (pelo) e nidus (ninho).

É, portanto, um cisto com um emaranhado de pelos no seu interior que acomete o tecido subcutâneo da região das nádegas, próxima ao cóccix, quase sempre na linha média, a uns 5 centímetros do ânus, como explica o cirurgião geral Roberto Luiz Kaiser Júnior, de Rio Preto.

Segundo ele, é uma doença comum em adolescentes e adultos jovens, sendo a faixa etária mais recorrente a dos 15 aos 30 anos de idade. É rara após os 40.

“O sexo masculino corresponde a 80% dos casos e a causa ainda é desconhecida, mas acredita-se que possa ser adquirida por uma dificuldade de exteriorização do pelo, ficando enrolado internamente, formando um cisto e não saindo mais (por isso o nome de pilonidal)”, esclarece. Marcelo Averbach, médico cirurgião e coloproctologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, esclarece que, mesmo sendo mais comum em homens, mulheres também são acometidas pela doença.

Além disso, o especialista explica que um erro comum é achar que a doença está associada a quem passa muito tempo sentado. “Isso era uma especulação de antigamente, mas não tem base científica.  Acreditava-se que quem passasse muito tempo sentado estaria empurrando esse pelo, o que não é verdade. O que se fala hoje decorre da presença de pelos subcutâneos e de restos dérmicos, que são reconhecidos como um corpo estranho”, diz.

Sintomas inexistem

Os especialistas alertam que, como os sintomas só aparecem quando o há um processo inflamatório, algumas pessoas podem conviver com a doença por muitos anos sem conhecimento.

“Os sintomas podem ser de dor localizada, desconforto ao sentar-se ou se mexer e até dor intensa em casos de infecção lo-cal”, explica Vladimir Schraibman, cirurgião geral do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Kaiser Júnior reforça explicando que os sintomas mais comuns geralmente são dor ou desconforto na região interglútea, que pode evoluir para abscesso ou uma drenagem desse líquido espontaneamente através de um furo.

“Se drenar sozinho, normalmente,  fica   vazando   secreção  com cheiro ruim (pus) periodicamente por toda a vida ou até que resolva com cirurgia. Normalmente, o orifício de drenagem é único e na linha média, mas pode haver vários orifícios drenando”, frisa. “A notícia ruim é que não tem como prevenir que um cisto apareça.

Se não tratar, não tem risco de evoluir para câncer, mas o paciente, normalmente, fica com um líquido com cheiro ruim vazando constantemente”, reforça. Schraibman explica que, ao não tratar o que pode ocorrer é uma infecção local de intensidade mais severa, o que acarreta em uma ressecção   de   maior   proporção   e  com  maior   tempo   de   recuperação  pós operatória.

Cirurgia é a única opção

A única opção de tratamento do cisto pilonidal é a cirurgia. Há dois tipos de procedimento. O primeiro é a retirada do cisto, deixando aberto o local onde ele foi retirado, podendo levar, em média, seis meses até a completa cicatrização.

“Essa técnica é chamada de ‘aberta’ e é atualmente a mais utilizada, tendo como desvantagem o fato de ter que ficar fazendo curativo (preenchendo o buraco do cisto) duas vezes por dia. A segunda é chamada de ‘fechada’ e consiste em retirar o cisto e fechar a pele, mas o paciente tem que ficar pelo menos 15 dias sem sentar, pois corre risco de forçar e abrir os pontos”, explica o cirurgião geral Roberto Luiz Kaiser Júnior.

Segundo o cirurgião geral Vladimir Schraibman, de 3% a 5% das cirurgias de cisto pilonidal apresentam recidiva. “A recidiva depende muito da técnica utilizada para o tratamento. A opção ‘aberta’ é a que apresenta o menor índice de recidiva e é a mais indicada”, esclarece. A notícia boa é que agora existe uma nova  técnica  que  utiliza  um aparelho  chamado de Vaaft.

Esse é um aparelho parecido com o utilizado na endoscopia do estômago, que entra pelo furinho da pele e consegue retirar todos os pelos lá de dentro.

“Com o aparelho, pode-se também cauterizar o cisto internamente, não precisando de cirurgia mais complexa para retirada nem de recuperação prolongada para voltar às atividades. Pode-se voltar à vida normal em média um dia após o procedimento, sem nenhum cuidado com repouso, curativo e atividade física”, informa Kaiser Júnior.

Por Juliana Ribeiro
Texto publicado na Revista Bem-Estar, do jornal Diário da Região, em agosto de 2017.

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