A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), encaminhou, na última sexta-feira (12), ofício à Secretaria da Saúde de Pernambuco alertando para o fato que a cirurgia para tratamento da obesidade não pode ser equiparada com uma cirurgia estética. Além disso, a SBCBM manifestou preocupação com o cenário de interrupção de cirurgias para pacientes com obesidade mórbida no sistema de saúde do estado tendo em vista que estes pacientes são considerados de elevado risco para a COVID-19, com maior necessidade de internamento e de UTI.

Estudos recentes conduzidos na França avaliaram 8.286 obesos hospitalizados com diagnóstico de infecção por COVID-19. Neste grupo, 541 pessoas tinham sido submetidas à cirurgia bariátrica antes da pandemia. Os pesquisadores concluíram que em pacientes bariátricos, a necessidade de ventilação mecânica foi 33% menor e o índice de mortes 50% inferior, comprovando o efeito protetivo da cirurgia nesta população.

“Nosso objetivo não é realizar cirurgias no momento em que os leitos e a ocupação dos hospitais está em sua capacidade máxima. No entanto, é importante ressaltar que a perda de peso reduz risco e que oss paciente com obesidade mórbida – em sua maioria – possuem doenças associadas com a obesidade como diabetes, hipertensão, cardiopatias e outras e que – caso venham a contrair a COVID-19 – podem vir a óbito”, ressalta o presidente da SBCBM, Fábio Viegas.

Outros estudos apontam ainda que a obesidade oferece 46% mais risco de contrair COVID-19, 113% mais risco de precisar de internamento hospitalar, 74% mais risco de o paciente precisar de UTI, 66% mais risco de utilizar ventilação mecânica invasiva e 48% mais risco de morte.

“A entidade entende que a paralisação dos serviços compromete a saúde de pacientes portadores de doenças graves e ou/crônicas como a obesidade e o diabetes e que a sua postergação pode resultar no aumento da morbidade e da mortalidade. Esse posicionamento é respaldado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que publicou a Recomendação Nº 1/2020 sobre a continuidade dos serviços de cirurgia bariátrica e metabólica em hospitais da rede pública e privada”, ressalta o presidente do Capítulo da SBCBM em Pernambuco, Guilhermino Nogueira, em ofício enviado ao secretário de estado da Saúde de Pernambuco, André Longo.

DADOS – A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica apresenta evidências de que a manutenção das cirurgias é uma alternativa comprovadamente segura e eficaz na perda de peso e no controle das doenças associadas no contexto da pandemia.

“Além disso, estudos apontam que fez Cirurgia Bariátrica tem 72% menos internamento por COVID-19, 78% menos mortalidade – já que a cirurgia bariátrica leva a uma perda de peso substancial e sustentada, melhorando rapidamente o perfil metabólico do paciente, incluindo controle da glicemia, pressão arterial e dislipidemia. Existem ainda evidências fortes que a cirurgia melhore o sistema imune e níveis de marcadores inflamatórios. Esses dados mostram que pacientes com obesidade se tornam mais saudáveis após a cirurgia Bariátrica e se tornam aptos a lutarem melhor contra a infecção do SARS-Cov2”, diz o presidente da SBCBM Fábio Viegas em ofício.

LEIA O OFÍCIO NA ÍNTEGRA
À Secretaria Estadual de Saúde e Pernambuco
A/C: Excelentíssimo Senhor Secretário André Longo
Ref.: Reconsideração do cenário de interrupção de cirurgias bariátricas no sistema de saúde

Excelentíssimo Senhor Secretário André Longo,

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica vem respeitosamente, por meio do presente ofício, se posicionar sobre a paralisação dos serviços de cirurgia bariátrica no sistema de saúde estadual.

A entidade entende que a paralisação dos serviços compromete a saúde de pacientes portadores de doenças graves e ou/crônicas como a obesidade e o diabetes e que a sua postergação pode resultar no aumento da morbidade e da mortalidade.

A obesidade sabidamente é um grande fator de risco para pacientes desenvolverem COVID-19 grave com maior necessidade de internamento e de UTI. Já existem estudos apontando que há maior vulnerabilidade imunológica ao COVID-19 em pacientes portadores da obesidade, fazendo com que eles também adquiram mais facilmente a doença.

Fatos sobre a obesidade e Covid-19
⦁ 46% mais risco de contrair COVID-19
⦁ 113% mais risco de precisar de internamento hospitalar
⦁ 74% mais risco de precisar de UTI
⦁ 66% mais risco de utilizar ventilação mecânica invasiva
⦁ 48% mais risco de morte

Fatos hoje sobre a Cirurgia Bariátrica
⦁ Praticamente não se ocupa mais leitos de UTI em pós-operatório
⦁ Pacientes tem alta hospitalar dentro de 24-48h após a cirurgia
⦁ Baixíssimo índice de complicações
⦁ Em média se perde 10-15% do peso já nos primeiros 30 dias
⦁ Controla doenças como Hipertensão e Diabetes de maneira segura e rápida (doenças que são também fatores de risco para gravidade do COVID-19)

Fatos sobre pacientes que se submeteram à Cirurgia Bariátrica e o Covid-19
⦁ 72% menos internamento por COVID-19
⦁ 78% menos mortalidade (13% de mortalidade no grupo da Obesidade x 3% em quem fez Bariátrica) Cirurgia Bariátrica leva a uma perda de peso substancial e sustentada, melhorando rapidamente o perfil metabólico do paciente, incluindo controle da glicemia, pressão arterial e dislipidemia.

Existem ainda evidências fortes que a cirurgia melhore o sistema imune e níveis de marcadores inflamatórios. Esses dados mostram que pacientes com Obesidade se tornam mais saudáveis após a Cirurgia Bariátrica e se tornam aptos a lutarem melhor contra a infecção do SARS-Cov2. Nesse sentido, evidências sugerem que devido à natureza progressiva da obesidade e do diabetes, o adiamento da cirurgia aumenta os riscos de morbimortalidade, dependendo do tipo e da gravidade de suas comorbidades5.

Essas evidências são respaldadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que publicou a Recomendação Nº 1/2020 sobre a continuidade dos serviços de cirurgia bariátrica e metabólica em hospitais da rede pública e privada.

Diante dessas constatações pedimos que a cirurgia de Obesidade possa continuar sendo oferecida aos pacientes em risco com Obesidade grave, sendo, dessa forma, uma alternativa comprovadamente segura e eficaz na perda de peso e controle das doenças associadas no contexto da pandemia. A Cirurgia Bariátrica não é uma cirurgia estética e deve sempre ser equiparada em importância às cirurgias oncológicas em sua missão de salvar vidas todos os dias.

Atenciosamente,

Dr. Fábio Viegas
Presidente da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Bariátrica e Metabólica

Dr. Guilhermino Nogueira
Presidente do Capítulo Pernambucano da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

1. Aminian, A., Tu, C. Association of Bariatric Surgery with Clinical Outcomes of SARS-CoV-2 Infection: a Systematic Review and Meta-analysis in the Initial Phase of COVID-19 Pandemic. OBES SURG (2021). https://doi.org/10.1007/s11695-020-05213-9
2. Popkin BM, Du S, Green WD, et al. Individuals with obesity and COVID-19: a global perspective on the epidemiology and biological relationships. Obes Rev. 2020;21(11):e13128. https://doi.org/10.1111/obr.13128.
3. Bhatt DL, Aminian A, Kashyap SR, et al. Cardiovascular biomarkers after metabolic surgery versus medical therapy for diabetes. J Am Coll Cardiol. 2019;74(2):261–3. https://doi.org/10.1016/j.jacc.2019.04.058.
4. Zhang C, Zhang J, LiuW, et al. Improvements in humoral immune function and glucolipid metabolism after laparoscopic sleeve gastrectomy in patients with obesity. Surg Obes Relat Dis. 2019;15(9):1455–63. https://doi.org/10.1016/j.soard.2019.05.021
5. Cohen et al. 2020. Bariatric and metabolic surgery during and after the COVID-19 pandemic: DSS recommendations for management of surgical candidates and postoperative patients and prioritisation of access to surgery. Lancet. Disponível em < https://doi.org/10.1016/S2213-8587(20)30157-1 >

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

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