Condição é multifatorial e pode ser fator de risco para doenças como hipertensão e diabetes

Mais da metade dos brasileiros estão acima do peso e 20% estão obesos, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2019). Em todo o mundo, são 672 milhões de pessoas obesas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Para classificar a obesidade, é utilizado o índice de massa corpórea (IMC), que é o cálculo do peso dividido pelo quadrado da altura. Quando o resultado é igual ou acima a 30 kg /m², o sujeito é considerado obeso.

Mas, mesmo se o IMC for abaixo desse valor, a pessoa pode ser obesa. O professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, Josemar de Almeida Moura, explica que caso a circunferência abdominal seja maior que 88cm – no caso das mulheres – ou 102cm – no caso dos homens –, é classificado como obesidade. “Nós sabemos que o tecido gorduroso, dependendo do local que está localizado, tem um comportamento pior para a saúde”, destaca o professor.

A obesidade é uma condição multifatorial. Ao contrário do senso comum, ser obeso não é falta de vontade, preguiça ou uma alimentação regada a comidas hipercalóricas, como fasts foods e doces. “Mais de um terço dos pacientes obesos são obesos por histórico familiar. Têm várias outras situações, que incluem hábitos de vida e algumas outras doenças e medicamentos que também podem fazer com que o paciente ganhe peso. Tem muita relação com doenças psiquiátricas, como quadros de ansiedade e depressão”, detalha o professor Josemar. “É muito mais comum vários desses fatores influenciando e aumentando os riscos de o indivíduo ser obeso”, completa.

Obesidade na infância

Dados da FAO apontam que 124 milhões de crianças entre cinco e 19 anos estão acima do peso. Entre crianças até cinco anos, são 40 milhões. O ganho de peso na infância pode influenciar para que a pessoa seja obesa na fase adulta. “O peso ao nascimento, a mãe gestante diabética, o paciente que nasce com peso elevado (acima de 4,5 kg) tem um risco maior de se tornar um adulto obeso”, esclarece o professor Josemar.

“A obesidade na primeira infância, no primeiro ano de vida é um grande fator de risco para a obesidade e tem muita relação com a parte genética também”.

Diabetes e hipertensão

A Vigitel aponta que quase 8% da população adulta tem diabetes e cerca de 25% tem hipertensão. A Pesquisa Nacional de Saúde indica que a cada quatro adultos com diabetes ou hipertensão, três estão acima do peso. O professor Josemar avalia que é possível fazer uma relação entre a obesidade e essas doenças. “A obesidade é uma doença crônica que está associada ao risco de desenvolvimento de diversas doenças e até de piora dessas doenças. Ela é um risco para doenças como diabetes, hipertensão, doenças no coração e pulmonares”, cita o professor.

“Pacientes obesos têm risco maior de ter essas doenças e vice-versa. Quando o paciente tem essas doenças associadas à obesidade, os riscos à saúde são aumentados”

Além das doenças citadas, a obesidade pode ter uma relação com a covid-19. De acordo com o Ministério da Saúde, entre as mortes confirmadas causadas pelo coronavírus, 69% tinham mais de 60 anos e 65% apresentavam pelo menos um fator de risco. Em todos os grupos de risco, a maioria era idoso ou tinha obesidade. Entre as comorbidades mais comuns estão as cardiopatias e diabetes, que têm relação com a obesidade. “Mesmo que o indivíduo não seja considerado idoso, a obesidade – mesmo na presença ou na ausência dessas doenças – teve um índice maior de internações, inclusive de casos que vão para o CTI. Isso é uma associação que a gente ainda não sabe a causa. Uma das causas prováveis é a associação da obesidade com o aumento dessas doenças, como diabetes, hipertensão e doenças pulmonares”, avalia o professor.

Outra hipótese para os agravamentos nos casos do coronavírus está relacionada ao processo inflamatório da gordura visceral. “O tecido gorduroso quando está na circunferência abdominal – dentro do abdômen, não na pele –, é um tecido altamente inflamatório. Ainda não temos certeza, mas pode ser que essa inflamação contribua para o agravamento dos casos do coronavírus porque um dos grandes problemas da covid-19, na sua complicação pulmonar, é o processo inflamatório exacerbado no pulmão e que poderia ser explicado, no caso do paciente obeso, por essas alterações hormonais do tecido gorduroso que levariam a um estado inflamatório contínuo”, levanta a hipótese.

Fonte: Faculdade de Medicina da UFMG

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